terça-feira, 3 de novembro de 2009

CLAUDE LÉVI-STRAUSS (1908 - 2009)

Ocorrida no final de semana passada mas só comunicada pelos familiares em Paris no dia de hoje, registro aqui o falecimento de um dos mais importantes intelectuais de todos os tempos, o antropólogo belga radicado na França Claude Lévi-Strauss - após 100 anos de vida.

Lévi-Strauss era o último remanescente de uma brilhante geração de intelectuais franceses dos anos 1950 e 1960 que gestaram o chamado movimento estruturalista - um paradigma filosófico robusto que influenciou todo um conjunto de estudos e pesquisas nos mais diversos ramos das Ciências Humanas e Sociais daquela época -, inspirados pela obra seminal do linguista suíço Ferdinand de Saussure e o seu clássico Curso de Linguística Geral. Tal como Michel Foucault na Filosofia, Roland Barthes na Semiologia e Jacques Lacan na Psicanálise, Lévi-Strauss foi responsável pela introdução do método estrutural no campo da Antropologia, entrando para a história como o fundador da escola da Antropologia Estrutural.

Junto com Saussure e Lacan, Lévi-Strauss era uma das pontas do triângulo intelectual que estudei de maneira muito intensa durante o meu curso de graduação em Psicologia na UFRJ no final dos anos 1980. Era a época da efervescência do pensamento francês na academia, além do momento onde a psicanálise lacaniana se insinuava no meio intelectual carioca. Dois de seus textos, publicados na coletânea Antropologia Estrutural I (Editora Tempo Brasileiro), foram importantíssimos em minha formação: "O Feiticeiro e Sua Magia" e "A Eficácia Simbólica". Em ambos, o pensador analisava o efeito simbólico da palavra como transformadora dos estados corporais, a partir do estudo de campo com pajés (xamãs) da América do Sul.

Em um mundo onde a reflexão, a curiosidade e a análise crítica parecem ter cada vez menos espaço, é sempre bom ter alguém do calibre de um Lévi-Strauss para nos inspirar e incitar o pensamento. Mesmo que, porventura, possamos discordar de suas idéias, conforme foi o meu caso particular ao longo do meu percurso intelectual...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

OUSADIA E CRIATIVIDADE








Apesar do aspecto dramático envolvido em qualquer crise econômica de gigantescas proporções - conforme a observada nos países do Norte desde o segundo semestre do ano passado -, é inegável que ela fustiga e incrementa a imaginação dos empreendedores e profissionais de marketing. Segundo um velho aforisma de marketing, enquanto numa crise uns choram os negócios perdidos, outros lucram vendendo os lenços que enxugam as lágrimas...

Vejam só o exemplo de criatividade em marketing descrito a seguir.

O caso em questão é a loja Esloúltimo - "és o último", em tradução livre do espanhol -, aberta em meados do mês passado em Barcelona, a mega-hiper-ultra trendy capital da Catalunha. Inspirada no modelo de negócios free, do escritor de negócios norte-americano Chris Anderson, a idéia da loja é simplesmente a seguinte: entrar, pegar o que quiser e sair sem pagar nada! Fantástico, não?! Pelo menos é o que parece...

Claro "tudo de graça" é uma força de expressão, pois afinal alguém acaba pagando a conta. Nesse caso, o inovador é a repartição de custos entre empresas e consumidores. Para entrar na loja, o consumidor deve associar-se mediante um cadastro e pagar uma taxa semestral de míseros 5 euros. Já as empresas entram com os produtos na prateleira - e, de quebra, aproveitam muito mais do consumidor...

Aí reside o segredo de negócio: além de servir como forma de exposição ao consumidor, a Esloúltimo funciona como um "laboratório de consumo", isto é, é a aceitação dos produtos é testada por parte dos consumidores cadastrados. Desta maneira, diferentes aspectos do produto são avaliados in loco tais como embalagem, características, disposição nas prateleiras, além de testes de comunicação e mídia. Ou seja, trata-se de uma pesquisa experimental quase que de graça (em se tratando de uma metodologia de pesquisa caríssima, não deixa de ser bastante interessante para as empresas envolvidas), num caso criativo e engenhoso de parceria envolvendo empresas e clientes.

Como tudo que é mirabolante, a engenharia financeira do negócio é intrincada. Já que os consumidores pagam uma mísera taxa de cadastro semestral e as empresas não pagam nada para expor os seus produtos, afinal quem paga a conta disso? Em resposta, o Guía de Tendencias - grupo espanhol responsável pelo empreendimento - pretende vender às empresas parceiras uma gama de pesquisas sobre o comportamento dos consumidores em seu ambiente de compras. Isso é o que eu chamo de unir o útil ao agradável, não acham?!

Os itens disponíveis na referida loja são variados: desde cosméticos, produtos de higiene pessoal, limpeza, passando por refeições congeladas, alimentos e até mesmo cervejas em sabores inusitados que passam pelo crivo dos consumidores. Em tempo, os produtos são expostos tanto em tamanhos de amostra grátis quanto em suas versões comerciais.

O mais legal de tudo, no entanto, vem agora: na primeira quinzena desde a sua abertura, a loja vem recebendo a adesão de cerca de 600 a 800 novos clientes - a previsão inicial era de apenas 400 a 500 clientes! O sucesso do empreendimento foi tão grande, que durante os primeiros dias de funcionamento as filas de entrada na loja duravam até 4 horas! A fim de evitar este incômodo, a empresa criou um sistema de agendamento que permite que cada consumidor possa ir à loja uma vez a cada 15 dias, mas sempre levando a mesma quantidade de produtos. Afinal, quem disse que free rima com desconforto?

Na loja de Barcelona, atualmente são 78 empresas-parceiras - dentre as quais, gigantes do varejo como a Sara Lee, a Bimbo e a Pepsico - que podem expor os seus produtos em suas prateleiras em um espaço de tempo que varia de 15 dias a um mês.

A bem da verdade, o conceito da Esloúltimo não é bem uma novidade, posto que é inspirado no modelo das lojas de amostras grátis no Japão - mas até então inédito no Ocidente. O plano de negócios da empresa controladora envolve a abertura de uma outra loja em Madrid em fevereiro do ano que vem, bem como a chegada a outras capitais européias durante o ano de 2010. No entanto, o mais interessante disso tudo é que há a promessa de chegada da cadeia até o Brasil e os Estados Unidos. Imaginem só o frisson que isso iria causar em nosso mercado consumidor?

PRIDE AND HONOUR: TO MY "FINE"


As nove nobres virtudes da Tradição Nórdica

1. Coragem é ter ousadia de agir corretamente, sempre.

2. Verdade é a disponibilidade de ser honesto e falar somente aquilo que se sabe verdadeiro e justo.

3. Honra é a certeza de conhecer seu valor e sua nobreza interiores e o desejo de respeitar essas qualidades quando encontradas no outro.

4. Lealdade é a vontade de ser leal para com seus Deuses e Deusas, seu povo, sua família e seu próprio ser, sem restrições.

5. Disciplina é a determinação de ser duro, primeiro consigo mesmo e depois, quando necessário, com os outros, para assim alcançar maiores realizações.

6. Hospitalidade é a boa vontade em compartilhar aquilo que é seu com seus semelhantes, especialmente quando eles estão longe de casa.

7. Eficiência é a determinação de trabalhar arduamente e gostar daquilo que se faz, sempre.

8. Auto-suficiência é o espírito de independência alcançado não somente para si, mas para sua família, sua tribo sua nação.

9. Perseverança é a tenacidade de persistir em seu propósito, sem desistir perante os fracassos, mas reconhecer e avaliar suas causas e analisar seu propósito. Se ele for verdadeiro e benéfico, perseverar até conseguir o sucesso.


Extraído de: Mirella Faur. Mistérios Nórdicos. São Paulo, Editora Pensamento, 2006, p. 296

terça-feira, 27 de outubro de 2009

DOIS AGRADECIMENTOS E VÁRIAS DESCULPAS

A vida desse Escriba que vos fala não anda nada fácil. Viagens, livros para escrever, provas para corrigir, reuniões mil, muitos trabalhos diferentes... Mesmo para um viciado em adrenalina e portador de um atenuado distúrbio de atenção, isso proporciona um cansaço e um certo grau de descolamento da realidade. Além disso, reduz a nossa perspectiva de contato social, posto que estou sempre em trânsito, de um lado para o outro do país, de cidade em cidade. Resultado: tenho adquirido um vasto conhecimento a respeito de aeroportos, hotéis, aviões...

Apesar dos pesares, me considero um sujeito de sorte! A minha profissão ocupa um enorme espaço em minha vida, posto que eu adoro o que faço! Me identifico profundamente com o ofício de educador, uma vez que gosto muito da idéia de transmitir o que estudo e empreendo sob forma de conhecimento para outras pessoas. Como, apesar da aparência em contrário, tenho uma personalidade difícil e fortemente introvertida, dar aulas para mim é uma forma de sair da minha redoma de livros, autores, teorias - a window to the world. Costumo dizer, para quem me é mais querido e amiúde que, se não fossem as aulas, eu seria um eremita daqueles a ficar trancafiado de 10 a 15 horas por dia rodeado de papiros, imerso em pensamentos, a tentar reconstruir os passos perdidos e misteriosos da civilização humana...

É por esses motivos - invariavelmente, trabalho - que não pude comparecer à cerimônia formatura dos meus alunos do MBA de Marketing da FGV Rio de Janeiro, das turmas 70 e 71. Em ambas as ocasiões, eu estava fora do Rio de Janeiro - como estou agora, digitando essas linhas da belíssima e ensolarada capital gaúcha de Porto Alegre. Em ambas as situações, fui escolhido professor homenageado. Em ambas, perdi a oportunidade de congraçar-me com os meus queridos alunos. Uma lástima, posto que a homenagem prestada pelos alunos é o ápice para qualquer professor que ama verdadeiramente o seu ofício...

Apesar de não ter estado presente, gostaria de agradecer imensamente aos alunos de ambas as turmas pela honra de me terem concedido essa homenagem. Como professor, a minha relação com o conhecimento não é do âmbito da vaidade e da promoção pessoal, mas sim da troca de idéias, da difusão de conhecimentos, da criação de boas relações sociais e, por fim, dos estabelcimento de vínculos de amizade. Não é à toda que mantenho com alguns alunos uma relação mais amiúde e duradora, seja sob forma de e-mails ou nas redes sociais da vida.

Tal homenagem apenas me dá a certeza de continuar no meu caminho de ensinar, de difundir conhecimento, de transmitir o que sei para as outras pessoas, que estão em busca de informação atualizada, ética e comprometida com a nossa realidade e o nosso país. Ser reconhecido pelos meus alunos, dessa forma, é o máximo que eu posso ter! O resto é balela, é discurso vazio, enrolação...

Apesar de distante, me sinto absolutamente irmanado com os alunos de ambas as turmas, e muito feliz com mais essa vitória de vocês, conquistada a base de muita leitura, estudo, provas, textos e apresentações em sala de aula. Saibam que eu me orgulho em demasia de vocês, e espero que daqui em diante vocês possam trabalhar no sentido de tornar o nosso país mais rico, ético, fraterno e criativo.

Aceitem, portanto, as mais sinceras desculpas deste humilde professor que vos fala. E saibam que, mesmo distante, estou sintonizado com os corações e mente de cada um de vocês!!!

Meus parabéns, e muito sucesso para todos!!!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

SESSÃO DE CINEMA - "FADOS"











As peripécias desse Escriba que vos fala em terras celtíberas-suevas-lusitanas não se esgotou quando do meu retorno ao Brasil, há cerca de três semanas atrás, após uma semana memorável. Portugal, locus de minhas raízes, não é fácil de se afastar. Pelo contrário, trago o país, o seu povo, a sua gente e os seus costumes em meu sangue, em meu pensamento, em meu coração. Apesar de brasileiro, e amar a terra onde vivo, não é nada simples esquecer que, no distante outro lado do Atlântico, é que repousam as minhas origens. Tenho essa sensação todos os dias, a todo o instante, a todo o momento. Talvez seja por isso que o suave olor da maresia está sempre a me acompanhar, assim como o gosto da água salgada que permeia os meus lábios, todas as vezes que sinto uma profunda nostalgia de ter deixado a minha terra natal...

Para mim, luso que teimo em não ser, um porto é um lugar feérico por excelência; afinal, há algo mais continental, mais denso, mais íntimo do que o porto que nos tornamos? Ou será que inventamos viagens apenas pelo puro prazer de, ao final, retornar ao ancoradouro de nossas almas? O nosso eu, penso cá com os meus botões, é apenas uma baía calma e protegida, cujas águas cálidas e plácidas nos abrigam desse imenso e majestoso oceano que cabe no pequeno espaço dos nossos corpos...

Todas as vezes que sinto um gosto salgado na boca, é porque tenho uma tremenda saudade de mim mesmo - e de tudo aquilo que amo, prezo e venero. A lembrança de um tempo antigo onde o mundo era mais simples, as emoções eram à flor da pele e não precisávamos tanto de posar como super-homens me é extremamente fascinante. Daí, talvez, cidades com grande peso histórico e com um certo teor de decadência me atraiam tanto - dentre elas, Lisboa e Buenos Aires, as que mais conheço e admiro...

Portugal me assedia, e eu não consigo me livrar de Portugal, tenho de humildemente confessar! Nesta semana que se finda, impossível não acorrer ao cinema e assistir a última película do consagrado cineasta espanhol Carlos Saura. Apesar de ter sido lançado em 2007, e só agora ser exibido no circuito comercial brasileiro, uma obra de arte nunca se esgota, nunca envelhece, pois sempre rejuvenesce. Especialmente os filmes de Saura, onde o lirismo das imagens e a beleza da fotografia é superlativa por si só...

Fados (2007), é uma continuação da série de documentários "viso-musicais-coreográficos" que o diretor vem empreendendo com maestria tendo como tema a música da latino-luso-ibérica. Foi assim com as películas anteriores, os magistrais Bodas de Sangue (1981), Carmen (1983), Flamenco (1985), Tango (1998) e Iberia (2005).

Assim como os seus "irmãos" samba e o tango, o fado é um ritmo tipicamente urbano, nascido nas classes mais pobres, em meio à cafetões, prostitutas e "inferninhos", com músicas que tocam à fundo na alma, a cantar as desesperanças, as desilusões, os amores desfeitos, a melancolia sem fim, a dureza da vida. Afinal, como diria o maestro Tom Jobim, o samba nasce da tristeza, e a felicidade tem fim...

Fados é de uma beleza indescritível, apesar de ser capaz de gerar enfado no espectador que porventura não seja um apreciador da musicalidade e da riqueza poética de uma dessas maravilhas que Portugal produziu para o mundo. Nesta película, Saura casa com extrema felicidade, beleza e poesia os instrumentos típicos, o canto saudoso e doído com a dança e a expressão corporal dos bailarinos-atores que se sucedem ao longo do filme. Não me surpreende em nada afirmar que Fados é uma obra-prima das artes plásticas, dada a beleza dos closes nos rostos de cada intérprete, a riqueza das vestes e o jogo multifacetado dos espelhos que o diretor já tinha explorado com maestria em suas películas anteriores.

Tradição e novo, antigo e contemporâneo, metrópole e colônia, Portugal e seus vizinhos, todos se irmanam e se entrecruzam no filme. A saudosa Alfama das casas de fado e a belíssima Mouraria com seu quê de Santa Teresa, miradoiros bucólicos e eléctricos a quase triscar as paredes do casario estão lá, presentes nas vozes de intérpretes consagrados do quilate de uma Amália Rodrigues, de um Carlos do Carmo e de um Alfredo Marceneiro. A juventude lusa repousa nos "duelos" travados nas cenas gravadas na famosa Casa dos Fados, na Alfama (envolvendo Vicente da Câmara, Ana Sofia Varela e Pedro Moutinho). A africanidade das colônias está no rap (SP & WIlson e NBC), na world music (Lila Downs) e nos folguedos típicos das ilhas, reminiscências de um passado que nos lembra até onde os portugueses chegaram com suas naus no passado. A herança entre metrópole e colônias está na belíssima voz da moçambicana Mariza, e na emocionante interpretação de Chico Buarque do seu "Fado Tropical" (escrito em parceria com Ruy Guerra), tendo ao fundo cenas projetadas da Revolução dos Carvos. Tocante, pungente, inesquecível ...

Também há outras cenas memoráveis no filme. Como, por exemplo, Carlos do Carmo entoando o fado Lisboa enquanto cenas do cotidiano da capital portuguesa são projetadas nos telões. Ou então, o dueto entre a moçambicana Mariza e o espanhol Miguel Poveda na canção Meu Fado, mostrando o quão próximos são estes dois países, seus povos, sua cultura, sua culinária e sua música. Ou então nas cenas de arquivo com imagens de Amália Rodrigues, a fadista-mor. Ou então, na dança pagã das mulheres ao redor da fogueira, ou da fadista cantando a história da fadista morta ao som de um realejo irlandês. Típicas lembranças de um passado pagão na Península Ibérica, e que a cristandade tentou apagar mas não conseguiu...

A se lamentar, a participação inexpressiva do brasileiro Tony Garrido, com uma vozinha mixuruca e uma interpretação prá lá de afetada. Absolutamente desnecessária. E também não gostei nem um pouco da participação do Caetano Veloso...

Tudo isso são pequenos deslizes frente à beleza que é o fado, visto pelas lentes de Carlos Saura. Quem puder, veja! Quem não puder ir ao cinema, depois compre ou alugue o DVD. Mas não percam a oportunidade de assistí-lo, pois ajuda a compreender o tamanho da herança lusa em nossa identidade, corpos e mentes.

Agora, silêncio! Pois, como diria Amália Rodrigues, agora se vai cantar o fado...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

ALGUMAS NOTAS SOBRE OS INDICADORES SOCIAIS BRASILEIROS

Dentro da série de comentários que pretendo postar sobre os recentes levantamentos demográficos do IBGE, aí seguem alguns dados sobre os nossos indicadores sociais.

Segundo dados coletados para a Síntese de Indicadores Sociais (SIS 2009) do IBGE, cerca de 23% dos chefes de família em 2008 eram idosos (pessoas com idade acima dos 60 anos). Em 2008, o número de idosos no país era de 11,1% - cerca de 21 milhões dos 189 milhões de habitantes -, contra 8,8% apurados no ano de 1998.

Até aí nenhuma novidade, pois o Brasil segue uma tendência demográfica há muito consolidada nos países do Hemisfério Norte, que reside na combinação entre o aumento da longevidade da população e a redução dramática da taxa de natalidade. Só para se ter uma idéia, a população brasileira com menos de 1 ano de idade passou de 1,8% em 1998 para 1,3% em 2008 - uma redução de 27,8%. Como não poderia deixar de ser, a região Sudeste possui a menor concentração desse estoque população (1,2%), contra 1,8% apurada na região Norte.

Também o levantamento do IBGE mostrou a redução da população pré-adolescente (entre 9 e 14 anos), que é de 24,7% em 2008 contra 30% em 1998 - uma redução de 17,7%. Isso se explica pela redução do número de casais com filhos - 48,2% em 2008, contra 55,8% em 1998 - e o aumento do número de casais sem filhos - 16,6% em 2008, contra 13,3% em 1998.

O número de idosos com mais de 80 cresceu cerca de 70% no intervalo de uma década, e a expectativa média de vida ao nascer em 2008 é de 73 anos. Apesar do aumento vertiginoso do número de idosos em nosso páis, o Brasil apresenta um percentual de 9% da população total que se encontra acima dos 60 anos - abaixo de países como o Japão (27% de idosos na população total), Itália (26%), Reino Unido (22%), Estados Unidos (17%) e Argentina (14%), e acima de países como Colômbia e Venezuela (ambos com 8%).

Outros dados tambem interessantes e que merecem ser destacados: a média de habitantes por domícilio é de 3,3 em 2008, contra 3,8% em 1998; 51% dos idosos são analfabetos funcionais; e apenas 61% das residências brasileiras possuem acesso a serviços básicos como água, esgoto e coleta de lixo.

Recado para os meus alunos de marketing: vamos olhar com mais cuidado essas tendências demográficas?

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

BRASIL ECONÔMICO: O NOVO PERIÓDICO BRASILEIRO DE ECONOMIA


Todo monopólio é prejudicial ao consumidor, seja qual for o segmento de negócios envolvido. No caso do jornalismo econômico de qualidade no Brasil, foi isso o que aconteceu com o encerramento das atividades da Gazeta Mercantil, ate então uma referência no jornalismo econômico brasileiro.

A bem da verdade, desde antes do encerramento das atividades da Gazeta que tinha sido criado o Valor Econômico, atualmente o maior - e até então único - jornal de economia brasileiro. Uma iniciativa conjunta entre Grupo Folha e Organizações Globo, o Valor Econômico é um belo jornal: matérias de qualidade, diagramação enxuta, visualmente agradável, com info-gráficos que ajudam a compreensão do leitor sobre o tema abordado. Além de seu core business que é economia, suas seções de estilo de vida e consumo, gastronomia, cultura e literatura são dignas de elogios, fazendo com que o periódico não seja um hard paper de economia & negócios. Como fragilidade, uma restrita seção de política internacional, invariavelmente com matérias oriundas do jornalismo anglo-saxão...

Agora, para os leitores brasileros ávidos por periódicos de economia de qualidade, eis que o grupo português Econômica (segmento do Ongoing Media) lançou na semana passada o periódico Brasil Econômico - seu primo brasileiro assemelhado ao periódico português Diário Econômico - e que tive a oportunidade de lê-lo todos os dias pela manhã em ocasião de minha curta estadia em Portugal.

Tal lançamento é mais uma prova de que o mundo tem os olhos voltados para o Brasil, e a realização da Copa do Mundo de Futebol em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016 tornou o país verde-amarelo um grande atrator de investimentos externos. Já na parte que me toca, um consumidor ávido por informação de qualidade, a entrada no mercado do Brasil Econômico é um bálsamo. Afinal, penso que quanto mais melhor!

Editado em formato tablóide - muito comum no sul do país, e adotado recentemente pelo periódico carioca O Dia - e com sua característica coloração alaranjada semelhante ao seu irmão luso, e ao britânico Financial Times -, o Brasil Econômico é um jornal hard de economia. Bastante sucinto, com uma diagramação interessante e leve, e também fazendo recursos à info-gráficos - a bem da verdade, em número bem menor do que o seu concorrente direto -, a primeira leitura me agradou bastante. Diferente, mais sucinto e com resumos em cada matéria destacando os pontos principais, é um jornal fácil de ler para quem navega com facilidade pelo vocabulário econômico.

O jornal tem periodicidade semanal, com uma edição de fim de semana, e o preço nas bancas será de 1,20 euros - cerca de R$ 3. O ponto positivo do jornal é uma ênfase maior nas relações Brasil-Portugal (o que não poderia deixar de ser) e a presença de matérias sobre a União Européia. A ser melhorado, em meu entendimento, é um maior sortimento de artigos sobre empresas brasileiras, enfatizando as características e a dinâmica de funcionamento dos diferentes nichos de negócios em nosso país.

De qualquer maneira, a chegada do Brasil Econômico é mais do que bem vinda, pois todos ganham com a concorrência. Eu, que sou assinante do Valor Econômico, vou ler mais algumas edições para ver se vale a pena fazer também uma assinatura. Para quem quiser dar uma olhada, basta acessar o link (http://www.brasileconomico.com.br).


Vamos aguardar, mas acima de tudo parabéns pela iniciativa!