Sexta-feira, 25 de Julho de 2008

O AQUECIMENTO DO SEGMENTO DE JÓIAS NO BRASIL



Dizem que não há briga de casal que resista a uma bela jóia ofertada como presente ao ser amado - de ouro, claro, de preferência fartamente cravejada de gemas preciosas!

Símbolos milenares de distinção social, aspiração e riqueza, as jóias adornam o corpo de reis e rainhas desde tempos ancestrais. Em tempos modernos, as jóias foram reposicionadas como produtos que visam atender necessidades e desejos como auto-estima, elegância, sofisticação e auto-realização. Ou seja, algo que consegue outorgar aos seus portadores, simultaneamente, status e sonho de consumo. Por isso, para a grande maioria das pessoas, as jóias são consideradas como o ícone mor do produto de luxo. Não existem perfumes, bolsas, vestidos e carros esportivos que superem o esplendor de um colar de pérolas, diamantes e esmerldas no colo de uma linda mulher...

Segundo dados do IBGM (Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos), as exportações brasileiras de jóias estão em franca ascensão, graças a um conjunto de fatores: o aumento do preço do ouro no mercado internacional, a sofisticação e a criatividade no design de nossas peças e o avanço das exportações em mercados emergentes - ávidos por aspiração social provenientes da posse de produtos de luxo -, tais como a Rússia e os países do Oriente Médio ricos em petróleo - o famoso ouro negro....

O Brasil ocupa a 23o. posição no ranking de países produtores de jóias de ouro, tendo mantido a média de produção de 22 toneladas por ano. A manutenção desse patamar se dá pelo fato da indústria joalheira utilizar outros metais que não apenas o ouro na confecção das peças, além do uso de materiais alternativos como borracha, madeira, couro, resina e outras fibras vegetais. Isto confere à jóia brasileira um posicionamento todo especial, claramente calcado no exotismo, dada a riqueza e a diversidade de nossa flora.

Além disso, o solo brasileiro é caracterizado pela presença de um grande número de pedras preciosas - diamantes, rubis, safiras, citrinos, ágatas, ametistas, turmalinas, águas-marinhas, cristais de quartzo, dentre outras -, levando o país a ser responsável pela extração de cerca de 1/3 das pedras preciosas do mundo. Só para termos uma idéia da nossa riqueza mineral, o país ocupa o primeiro lugar na produção de topázio imperial, e o segundo na extração de esmeraldas.

Com cerca de 2.200 empresas situadas nesse segmento, o nosso parque industrial está concentrado nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia, além de outros emergentes em Goiás, Amazonas, Paraná e Pará.

O mercado joalheiro em nosso país é dividido em dois segmentos bastante claros: o da indústria de joalheira e o das pequenas empresas - as chamadas "fundo de quintal". As primeiras investem pesadamente em inovação, design e o uso de materiais alternativos, buscando estabelecer uma identidade bem definida da jóia brasileira. Já o segundo, mais informal, é composto pelos micro-ateliês de ourives e designers, que atendem um público de menor poder aquisitivo.

Situadas no mercado intermediário, encontram-se as lojas de varejo - presentes em shopping centers - que procuram cativar o consumidor com um atendimento personalizado, além da comercialização de peças que caibam no bolso carcomido e cansado dos nossos consumidores...

Curiosamente, a maior concorrência que a indústria joalheira sofre no mercado interno é proveniente da disseminação dos bens de consumo de alto valor tecnológico. Pulseiras, brincos, anéis e colares "brigam" com celulares, câmeras digitais, smartphones, aparelhos de MP4 e tvs de LCD. Vale lembrar que isto não ocorre apenas em nosso país, mas é um estado da arte já corrente em mercados afluentes como o norte-americano e o europeu.

De vez em quando, esse Escriba resolve abordar alguns assuntos mais frívolos, porém não menos agradáveis e divertidos. Afinal, quem não resiste ao poder sedutor de uma jóia? Além do mais, se ela estiver emoldurada pela beleza impactante de uma mulher?

O brasileiro não quer só comida, quer também diversão, arte - e, se possível, com um pouco de glamour...

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